sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Palavras...

A realidade e o sonho nos mesmos corpos, nos mesmos olhos... Na mesma boca!
Aqui as pessoas amanhecem e as árvores falecem.
E pela manhã o "bom dia" é substituído por uma pergunta, o interesse em saber: como amanheceste?
Se a conversa dura e eu preciso de saber onde fica o sítio para onde quero de ir daqui a pouco... Recebo como indicação que é perto, ali ao lado do "falecido pé de mango".
Gosto da ideia de ser sol, da ideia de as árvores serem pessoas e gosto das tantas coisas que se dizem aqui que ajudam a desconstruir ou a construir a minha realidade! Estas não são as figuras de estilo da literatura... São figuras vivas de pés calejados e sorrisos matreiros que pensam de forma diferente da minha, reagem e sentem de forma diferente... Porque vêem o mundo de forma diferente, porque "falam" o mundo de maneira diferente.
A globalização pode chegar nos telemóveis, nos carros ou nas calças de ganga... Mas ainda não chega à forma de "falar" o mundo, e isso surpreende-me e agrada-me todos os dias. E também me faz calar todos os dias.
Que "anoiteçam" todos bem é o que eu desejo, e quando eu passar perto do falecido pé de mango invocarei aquela alma que proporcionou durante anos as melhores mangas do mundo, alimentando quem, com uma cana comprida se lança ao longo píncaro, que suspende no alto, o fruto doce e carnudo que nos lambuza a boca e os sentidos. Como as palavras...





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