Os pais acenaram no outro lado da estrada num cumprimento efusivo.
Perguntei-lhe pela escola, e não havia mais nada para perguntar... A única vez que conversámos foi quando me veio pedir a password da internet para poder fazer um trabalho da escola. Entregou-me o telemóvel para que nele eu escrevesse a palavra secreta (e assim continuasse).
Questionei-me com estas modernices, de agora até os trabalhos da escola poderem ser feitos através de rudimentares smartphones, num sítio em que a mensalidade da internet é igual ao ordenado de um professor.
Claro que sei que aprendemos muito com as redes sociais, que o Facebook, Messenger, Whatsapp podem ser uma boa escola da vida.
Fico feliz e espantada com o acesso caloroso que 6 números e 3 letras me possibilitam.
Para a próxima, em vez de lhe perguntar pelas aulas estou a pensar em perguntar-lhe pelos amigos. Será abusivo?
Um armazém ao serviço da curiosidade e da alegria... da curiosidade por tudo, da alegria por encontrar o que é meu ou aquilo que me espanta os sentidos. Um armazém da vida ou da parte dela que faz sentido partilhar.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Chimpanzés...
A escuridão e o desconhecido dão ao som a dimensão dos nossos medos.
O mesmo som com luz e a olhar para os chimpanzés a saltar de árvore em árvore, ganha contornos completamente diferentes e maravilhosamente doces.
A realidade não depende da realidade....
Avançar na escuridão no Mato de Lautende, para encontrar um sítio seguro onde possamos esperar sentados que a noite se vá deitar. Ver nascer o dia ao som de insectos e de barulhentos pássaros viajantes. Ser apresentada a Coopeaferasalicundas, Albizias, Pau de Veludo ou Poilões gigantes. E depois sentir os belos chimpanzés acordarem, fazerem chichi e cocó, saltarem para as árvores, comerem mamp'tass, arreliarem os colombos e moverem-se com graça perante as diferentes flexibilidades das árvores e palmeiras que lhes servem de ninho, alimento e diversão.
Outra realidade... Com a dimensão do respeito (e da distância) que nos faz espectadores de uma mágica realidade, que não é nossa, e onde não devemos intervir. Só estar com (e em) todos os sentidos.
@Nacho Morales (Nadju)
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
Táxi...
Passados quinze minutos (e quinze minutos à beira de uma
estrada é uma eternidade), "nó bai" entro para o banco da frente de um táxi vazio.
-Sabe, ninguém quer ir para a Praça a esta hora, por causa
do engarrafamento. Muito movimento… muito tempo. Vê? Aponta para os carros parados
lá ao fundo enquanto procura passageiros que queiram entrar nesta espera onde agora estamos juntos. Todos se podem juntar à espera, e contudo ninguém entra.
A maior parte das pessoas que nos fazem parar querem ir para
Antula.
- Para Antula ainda é pior, uma hora de tempo ou mais. A
esta hora ninguém quer ir para lá. Fica o tempo todo no trânsito. “Antula ká
bai” ouvem resignados os candidatos a transporte, com cara de quem já espera há mais tempo do que eu.
As ruas estão cheias de gente, o taxista aponta para os magotes
de pessoas que esperam o toca-toca… E lá vai dizendo que não há dinheiro e que as
pessoas não podem andar de táxi, muitas vão a pé porque não têm dinheiro e que
há poucos transportes… Sendo que eu me vejo metida no caótico trânsito da Chapa
em hora de ponta e não me parece nada pouco.
Volta a insistir que não há dinheiro e há minha volta, mesmo
aqui à beira da estrada e à vista de todos o mercado da "fuca" está cheio de
gente a pegar e largar, lanternas a apontar os artigos, pregões a chamar os
fregueses. Então explique-me por favor o que está esta gente toda na rua a
fazer?
- Hummmm… vem comprar sapatos. Mil francos, dois mil francos.
Mas não há dinheiro.
- Pelos vistos não há dinheiro em lado nenhum, (digo para o
ar, sem esperar resposta).
O taxista boceja violentamente, esfrega a cara, mexe-se no
lugar e eu pergunto:
-A que hora começou a trabalhar?
-As cinco da manhã. Estou no táxi desde as cinco da manhã e
ainda não comi nada. Apenas aquela fruta pequena, mancarra e assim… Está difícil.
Eu fico com os meus botões a pensar na falta de táxis num
país com trânsito caótico, na compra massiva de sapatos num país onde a maioria anda de
chinelos, na falta de comida de quem trabalha de sol a sol, e a justificação do
taxista não se arruma imediatamente na minha cabeça, claro que não vou
questionar, vou dizer que sim com a cabeça e sorrir, afinal os taxistas não têm
de ser especialistas em todas as matérias e esta parece-me complexa.
- O troco é "pa bo", digo eu no meu melhor crioulo (que é uma nódoa), ao sair
do carro…
Sigo caminho pesando que talvez gaste neste simples jantar de "estrangeiro", para onde me dirijo, o que ele, alimentado por mancarra, levará duas
semanas a juntar… E isto também não se arruma imediatamente na minha cabeça, e nem digo que sim, nem me sorrio. Esta é mesmo uma realidade muito complexa e o problema não estão nos chocos grelhados com salada que me esperam, mas sim no tão pouco que alguns ganham nestes mundos de diferenças abissais entre as pessoas.
Os problemas complexos de que fala Rui Marques, em conversas que inspiram a caminhos colaborativos, sem a presunção de os resolver imediatamente. Treina-se a humildade e clareza de os desenhar para que por cima deles se invente um novo mapa ajustado e tranquilo, que nos fará chegar juntos e por estradas movimentadas, a novos e justos horizontes. "Nó bai".
Os problemas complexos de que fala Rui Marques, em conversas que inspiram a caminhos colaborativos, sem a presunção de os resolver imediatamente. Treina-se a humildade e clareza de os desenhar para que por cima deles se invente um novo mapa ajustado e tranquilo, que nos fará chegar juntos e por estradas movimentadas, a novos e justos horizontes. "Nó bai".
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
Espera...
Espero uma amiga à porta da universidade. Espero trabalhando, arrumando fotos e respondendo a emails atrasados. Dou-me conta de um movimento de caminhantes sem pressas, sou estranhamente despertada por ele, um despertar diferente daquele a que estou habituada. Um despertar inverso ao que reconheço em mim. Não assusta, não abana, não me faz reagir muscularmente... E no entanto desperta-me, retira-me do que estou a fazer... Permite-me ser tocada por outro ritmo tão diferente do compasso em que me acerto e me reconheço nos dias.
Toda a gente se move lentamente debaixo deste sol. Mesmo que a aula já tenha começado não há urgência no andar, não há sofreguidão nos passos nem velocidade nos gestos. Estive bastante tempo e não vi uma única pessoa a correr.
Ou vêm todos demasiado cedo ou isto do tempo não lhes toca como a mim.
Olho para mim. Olho para o que corro diariamente e reconheço-me acelerada e forte.
Dou-me conta que nem o meu esperar é esperar... Encontro sempre o que fazer, o que ler, o que escrever... O que pensar ;-)
Olho para mim e desejo este desaceleramento interior, explorar o movimento slow que tanto admiro. Acolher o ser caracol que há em mim e deixar-me deslizar na vida. Sem pressa, como estes que vejo seguirem para as aulas já começadas.
Ao mesmo tempo que observo o ritmo de quem entra, toca o telefone. Atendo. E combino com uma amiga ir correr no estádio depois do trabalho.
Contradições, paradoxos e incoerências que me queimam os sentidos e me iluminam a alma.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
Perguntas secretas…
Confesso que ficaria muito mais aborrecida que me perguntassem pelo mecânico ou cabeleireiro preferido, marca de carro ou hipermercado de eleição ou animal de estimação, podendo parecer mais coerente, encontro lógica não se seguir por este caminho, afinal estas não seria perguntas secretas, porque as finanças teriam alguma forma de saber a resposta.
Voltando às perguntas reais, colocam-nos de facto mais perto do que nos caracteriza e distingue enquanto pessoas, e atrevo-me a dizer que, no que toca ao que se pode fruir, nos aproxima do que é essencial para alimentar o corpo e o espírito, contudo no meu entender parte de um princípio um pouco perverso. Imaginam os senhores das finanças que nós nunca mudamos.
Devem partir do principio que entrando nós num sistema justo de redistribuição de riqueza nunca teremos poder de compra ou liberdade mental para superar o ordinário dos dias e vislumbrarmos novos horizontes.
Isto tudo porque eu já não sabia que pergunta tinha escolhido há 13 anos, a quando do meu registo na plataforma. O meu destino de férias preferido em 2004 pode ser o mesmo hoje?
Qual a
minha cor preferida? E se estava naqueles dias em que me apetecia "atrapalhar e ser engraçada" e
dizer todas, ou arco-íris… Naquela altura eu gostava de amarelo, hoje talvez
esteja indecisa entre um amarelo torrado e um verde seco, o que escreverei daqui a 5 anos?
E se a pergunta é, qual o meu livro preferido? Em nenhum sítio
aparece o ano em que fiz esta escolha (a menos que consiga entrar para alterar
os dados e aí já não preciso desta resposta). Bom, de 2004 para cá já li pelo menos mais de 30 livros dos quais gostei, muitos deles melhores do que
tinha lido até então e de certeza a minha resposta de hoje está aqui neste conjunto e não no noutro.
A pergunta devia
ser: qual o seu livro preferido até 2004? E pronto eu faria imediatamente outro
exercício de flashback e upsss! Talvez nunca chegasse à resposta certa porque hoje raleio livros
que li quando era jovem e uns surpreendem-me mais que na altura e outros me
desiludem profundamente. Claro isto só acontece comigo e o problema é inteiramente meu, porque não se pode agradar a todos os excêntricos da vida,muito menos num site das finanças. Ninguém me manda reler nada e o que eu tenho de fazer é escolher uma pergunta simples uma resposta para toda a vida, e não estar aqui com devaneios.
A pergunta que eu escolhi foi: Qual a minha peça preferida? Acho
que ninguém ia pensar que seria a peça de roupa, pois não?
Em 2004 teria mais ou menos oito anos de visitas regulares a
teatros, de 2004 até agora passaram treze anos… Em treze anos vi mais espectáculos, felizmente tive mais poder de compra (sempre reflectido nas declarações anuais de IRS) para ver outras produções e mais liberdade para entrar em
propostas mais arriscadas ou fora dos circuitos. Mas pronto Tchekov é Tchekov e As Três Irmãs, ainda um texto que ecoa emocionalmente em mim sempre que volto a ele, e em todos
os palcos. Confesso que se não fosse um amigo a lembrar-me da resposta
talvez ainda hoje procurasse os critérios que usei naquela altura, e por isso é que ajuda (mesmo on line) ir às finanças acompanhada. É a história da humanização...
O que eu gostava de dizer aos senhores das finanças ou pelo menos o que os senhores das finanças suscitaram em mim própria, é que as
perguntas são bonitas, sim senhora, ajudam a humanizar um site que é funcional e cómodo, mas que infelizmente tem a perversidade de substituir muito do apoio que
pode ser dado com um sorriso àqueles que não têm internet. Por outro
lado, e este é que o ponto que mais me toca, prevê que nós nos mantenhamos os mesmos, ignora que crescemos, evoluímos e que
em 10 ou tantos anos possamos ter mudado de gostos, de autores e de destinos
preferidos. No meu entender, seria um óptimo sinal para a economia portuguesa que tal acontecesse.
Por isso uma das sugestões é de que os programadores programem estas perguntas para que em algum lado apareça o
ano em que foram respondidas, a outra sugestão é que tenhamos a possibilidade simples
de as alterar assumindo e desejando que nos possamos reinventar e espantar a
cada dia com novos destinos, cores, espectáculos ou livros, que
cada vez nos surpreendam mais e que amemos mais.
Também podem deixar tudo na mesma, afinal as pessoas não mudam assim tanto e como diz o meu amigo daqui a uns tempos seremos identificados para íris (e eu imagino que pelo cheiro), ou apenas incluir estas perguntas que talvez sejam mais difíceis de responder:
"Qual é a repartição de finanças preferida?" ou "Sabe para onde vão os seus impostos?"
Para o caso de alguém ficar com dúvidas ou ideias parvas informo que mudei a minha pergunta e claro está a resposta. Espero não me esquecer disso e voltar a mudar em breve.
Para o caso de alguém ficar com dúvidas ou ideias parvas informo que mudei a minha pergunta e claro está a resposta. Espero não me esquecer disso e voltar a mudar em breve.
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Pistolas...
O caminho para o trabalho é feito de olhares e silêncios de sorrisos e de vazios... E de perplexidades. Há sempre muitas crianças na rua. Estou num nos países com uma das maiores taxas de natalidade do mundo e há sempre muitas crianças em todo o lado. Há dias cruzei-me com um menino que teria entre os oito ou os dez anos e na mão direita tinha uma pistola. Algo parecido com uma 9mm mas mais pequena e assim talvez tivesse menos milímetros... Uma pistola de plástico. Talvez uma pistola de fulminantes. No seu lado esquerdo acompanhava-o o amigo que segurava um saco de plástico por cima do ombro esquerdo. Iam descontraídos e como sempre eu seguia apressada... Talvez a pistola funcionasse com pequeninas pedras porque o vi parar para apanhar algumas do chão.
Eu tentei abrandar o passo mas ia embalada no meu ritmo de quem corre sempre para algum lado... Queria continuar atrás deles mais algum tempo, contudo era-me impossível parar com tempo, conhecem aquela sensação de parar um camião em andamento? Eu era o camião.
E na minha ultrapassagem pela direita ainda vi o miúdo a sacar da pistola, estender o braço levantá-lo à altura do ombro e fingir que atingia com um tiro, que lhe saia da boca, um outro miúdo que estava no lado oposto da estrada e que se dirigia a ele com alegria.
Fiquei com um nó na garganta... Ou no cérebro. Lembro-me de ouvir o filho de uns amigos meus, pacifistas e sempre cuidadores da educação dos pequenos, dizer aos vinte anos que uma das coisas que mais o marcou na infância foi não poder brincar com pistolas com os amigos, porque o pai o proibia... e dizia isto com mágoa.
E lembrei-me dos índios e dos cowboys, dos piratas, das corridas e das apanhadas...
E já de costas para os miúdos pensei que aquilo daria uma imagem fantástica, daqueles que ganham prémios no World Press Photo, que chocam e desinstalam o nosso lado burguês que apenas vê o mundo de um ponto de vista. Do ponto de vista certo, limpo, lindo, arrumado e feliz.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
De_coração...

Já ouviram falar da África Ocidental? É composta por 16 países, Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo. Dados da Wikipedia.
Uns são banhados pelo oceano atlântico, outros pelo deserto do Saara, outros pelas outras Áfricas irmãs. Esta é uma parte da África subsariana, uma parte de uma África que também é chamada de África Negra.
Uma miscelânea de culturas, etnias, histórias e um exagero de terra, céu e gentes…
Já ouviram falar de O Livro da Selva? Foi escrito em 1894, treze anos antes de Rudyard Kipling ganhar o prémio Nobel, o autor indiano que cresceu numa família inglesa, (tal como o Mogli cresceu com uma família de lobos). Há cinquenta anos a Walt Disney estreia o filme que adaptou parte do livro ao cinema. Conhecemos a selva indiana onde o Mogli cresceu. Um menino corajoso que respeita a natureza e está do lado do bem… Defende com a sua vida valores como o fidelidade e o amor por quem sempre o ajudou, e sabe comunicar com animais.
A história é bonita e encantou… Influenciando os da minha geração e da minha cultura, maravilhados por pequenos “tarzans”, bons selvagens que nos aconchegam as mantas e habitam os sonhos, saltando livres e felizes de liana em liana.
E este é o meu enquadramento… Um clássico que ofereço ao meu afilhado quando o encontrar a bom preço numa feira do livro.
E depois desta introdução, entro no melhor hospital pediátrico de Bissau, e o que é que eu encontro?
Claro está! O Mogli, os seus amigos e muitos dos desenhos da Disney como o rato Mickey, a Mini, o pato Donald, e tantos destes intemporais clássicos das nossas vidas.
Eu percorro o hospital e a cada parede ver o Mogli e mais tarde encontrar uma menina que deve ter saído de uma versão falhada dos gremlins, deu-me assim um certo mau estar… E não era eu que estava doente.
Respira miúda e bebe água, o melhor remédio para tudo, diz-me sempre uma das minhas metades. Claro que não há em Bissau espaço melhor que este, mais arrumado, limpo e colorido, onde tudo está o melhor possível com duas grandes televisões e comodidades que fazem sentido em qualquer espaço na Europa.
E como é bonito ter havido um voluntário generoso (sim porque se este fosse um trabalho pago a minha outra metade estaria a hiperventilar) que tirou dos seus dias na fria Europa para pintar as paredes e construir com o seu tempo e dedicação o melhor hospital pediátrico de Bissau. O Walt Disney escreveria a partir daqui, uma bela história de amor por África e pelos pobrezinhos. Mas como já morreu vou continuar eu a dizer o que exigia ar e água.
Ninguém se terá questionado de ter uma criatura descorada, como o Mogli, num hospital da África Negra? Ninguém alguma vez pensou que isto pouco tem a ver com as referências das crianças que nunca viram um filme e estão demasiado longe das selvas indianas desenhadas por americanos?
Não claro que não, imagino eu, num diálogo entre as duas que me habitam (feliz por aquele não ser um hospício, se não já por ali ficava). A outra de mim diz-me:
- Repara que os miúdos vêm coisas giras e coloridas, que todos os meninos em toda a parte do mundo vêm e gostam.
- Hummmm, não sei, talvez tenhas razão... Mas tu sabes que os elefantes Indianos são diferentes dos Africanos e os podemos distinguir pelas orelhas? E tu sabes que há histórias de meninos africanos que também podem ser contadas? Conheces o Kiriku, talvez fosse mais ajustado, se era um elemento decorativo que se procurava?
- Não comeces a inventar, está ou não está bonito?
- Está limpo, sim… E muito perto que do que eu costumo ver em Portugal ou Itália, em qualquer infantário suburbano e por isso me "entra" bem… Mas também me choca, choca-me porque estas crianças têm poucos estímulos visuais e todos os que "vêm salvar África" têm de fazê-lo pelo mais alto patamar e não pelo mínimo denominador comum.
É preciso que estas crianças em vez de ursos polares e peixes balão vejam também as tartarugas verdes que desovam em Poilão, ou os hipopótamos de Orango. Se queres uma floresta fala-lhes dos Matos de Cantanhez, último reduto das florestas húmidas, e se queres uns macacos mostra-lhes os que passeiam nas savanas do Boé ou os Chimpanzés de Cufada. Podes fazer "mobiles" ou desenhares os milhares de pássaros coloridos e surpreendentes que passam por aqui todos os anos. E peixes? Queres falar comigo de peixes num país com mais de oitenta ilhas? Se queres estimular a relação e aliviar os tempos de espera, desenha “twists” no chão ou nas paredes para que brinquem com os pais e se distraiam estreitando laços. Se queres decorar os espaços, então usa jogos de cores onde eles descubram formas, nuvens onde inventem histórias e texturas onde se possam perguntar…
É preciso que estas crianças em vez de ursos polares e peixes balão vejam também as tartarugas verdes que desovam em Poilão, ou os hipopótamos de Orango. Se queres uma floresta fala-lhes dos Matos de Cantanhez, último reduto das florestas húmidas, e se queres uns macacos mostra-lhes os que passeiam nas savanas do Boé ou os Chimpanzés de Cufada. Podes fazer "mobiles" ou desenhares os milhares de pássaros coloridos e surpreendentes que passam por aqui todos os anos. E peixes? Queres falar comigo de peixes num país com mais de oitenta ilhas? Se queres estimular a relação e aliviar os tempos de espera, desenha “twists” no chão ou nas paredes para que brinquem com os pais e se distraiam estreitando laços. Se queres decorar os espaços, então usa jogos de cores onde eles descubram formas, nuvens onde inventem histórias e texturas onde se possam perguntar…
E lá estava eu embalada a falar comigo como se fosse a outra metade de mim que tivesse desenhado o Mogli e a prima dos gremlins, e na verdade foi. Foi alguém como eu que o fez, com muito boa vontade e a melhor das intenções, alguém que tem a minha cor mental (mesmo que não seja por fora), alguém que tem um jeitinho parecido com o meu e gosta de intervir nos espaços… Alguém que teve o azar de não estudar na mesma escola e a sorte de não ter a minha outra metade, que me dá sempre na cabeça e me faz perguntar para que serve isto tudo? É relevante para quem? Acrescenta o quê aos outros?
E depois ficamos as duas a olhar uma para a outra e a fã do Mogli diz com um sorriso feliz e confortado pela obra feita – É para ficar bonito e toda a gente gosta!
- E porque é que não fica? Olha bonito, bonito era ires pintar isto para o teu quarto, isso é que era bonito. E mais bonito era olhares para o que te rodeia com outros olhos, mas preferes fazer como o chimpanzé que tira o peixe da água para que não morra afogado… e não digo mais nada que felizmente chegaram os resultados das análises e já podemos ir embora.
Não é paludismo.
Não é paludismo.
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